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Festival Música Sacra do Baixo Alentejo
Sete Lágrimas Consort
As melancólicas composições do Sete Lágrimas Consort, um dos mais importantes "ensembles" de música renascentista, barroca e contemporânea em Portugal, abrem sábado o quarto Festival de Música Sacra do Baixo Alentejo "Terras sem Sombra".

Os tenores Filipe Faria e Sérgio Peixoto, acompanhados dos sons de flautas de bisel e de outros instrumentos barrocos, vão cruzar-se com as vozes "a capella", do coro "Voces Cælestes", para "invadir" a Igreja Matriz de Nossa Senhora Entre-as-Vinhas, em Mértola, no concerto inaugural, às 21:00.

Promovido pelo Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja (DPHADB), o festival itinerante prolonga-se até Março do próximo ano e inclui uma conferência e seis espectáculos de música litúrgica e devocional em igrejas do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral.

O festival pretende "criar novos públicos para a música sacra no Alentejo" e "promover a redescoberta" de igrejas históricas da Diocese de Beja, que, "até há pouco tempo, estavam fechadas ou com sérios problemas de degradação", explicou hoje à agência Lusa o director do DPHADB, José António Falcão.

Neste sentido, frisou, a Diocese de Beja "continua a remar contra a maré" de outras dioceses no país, que "não estão a proibir concertos em igrejas, mesmo que sejam de música sacra e religiosa".

Devido a esta situação, lamentou, "em algumas zonas do país, há festivais de temática sacro-religiosa que foram obrigados a findar por não ser autorizada a utilização de igrejas para os seus concertos".

Dedicada ao cruzamento das culturas musicais nas tradições mediterrânicas, a quarta edição do "Terras sem Sombra", explicou José António Falcão, oferece um repertório de concertos, alguns dos quais comentados, que "enfatiza o peso do mediterrâneo na matriz histórica e na definição da cultura e das mentalidades do Alentejo".

Após o concerto de abertura, segue-se, dia 12 de Janeiro, na Igreja Matriz de Santo Ildefonso (Almodôvar), a actuação do Ensemble Hispânia, dedicada às devoções populares na música judaica, árabe e cristã.

As vozes e os instrumentos do Ensemble Alpha vão ouvir-se dia 02 de Fevereiro, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção (Alvito), num concerto intitulado "Dois Mundos: Oriente/Ocidente na Bacia do Mediterrâneo".

Os sons do clavicórdio do suíço Bernard Brauchli vão "entoar" dia 23 de Janeiro, na Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres (Beja), num recital comentado e sobre a presença do clavicórdio no mundo mediterrânico.

A Basílica Real de Nossa Senhora da Conceição (Castro Verde) será, dia 08 de Março, "palco" para a actuação do agrupamento vocal e instrumental Banchetto Musicale Lusitania, dedicada à devoção mediterrânica medieval.

Na habitual conferência do festival, agendada para 23 de Março, na Universidade de Évora, o musicólogo Rui Vieira Nery irá abordar o tema do festival.

O "Terras sem Sombra" termina a 29 de Março, na Igreja Matriz de Santiago do Cacém, com o concerto do Coro Gulbenkian dedicado à devoção Mariana na música portuguesa do tempo de D. João V.

Apostado em salvaguardar as igrejas históricas e o património litúrgico e eclesiástico, o DPHADB criou a Rede Diocesana de Museus, que integra sete pólos distribuídos pelo distrito de Beja e Litoral Alentejano.

O tesouro da Igreja de Nossa Senhora das Salas (Sines), o Tesouro da Colegiada de Santiago do Cacém, o Tesouro da Igreja de São Vicente (Cuba), o Tesouro da Basílica Real (Castro Verde), o Museu de Arte Sacra na antiga igreja-colegiada de São Pedro (Moura), o Museu do Seminário e o Museu Diocesano da Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres (Beja) são os núcleos já abertos.